Quando os Ombros não Suportam Mais o Mundo

by Escalier

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Situada em único dia na vida de um sujeito sem rosto que depois de um sonho ruim sai de sua casa e anda pela cidade, confrontando suas próprias escolhas e erros.

Zine-encarte do "Quando os Ombros não Suportam mais o Mundo":
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Vídeos das faixas (em baixa qualidade):
mega.nz#F!BstxzbxI
*Senha: !hpdXi2d5ITXlr_buseJNtQ

Todo esse projeto é feito de colagens e plágios.
Todo esse projeto pode ser copiado e usado como quiser!

"O roubo é o ato sagrado
No caminho distorcido para a expressão"

credits

released October 16, 2015

Produção: Tiago Caux e Escalier
Mixagem e Masterização: Yago Phelipe e Adolfo Lothar
Projeto Gráfico: Matheus Ferreira

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Escalier Belo Horizonte, Brazil

Sons, imagens, ruídos, palavras e corpos.

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Track Name: Introdução - Sonhos de Um Homem Monocromático
"Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer."

A Bíblia diz: "No início havia a palavra". Eu não sei, mas para mim, no início não havia nada. Eu estava dormindo 20.000 léguas abaixo do mar. Isso foi antes da palavra. Um dia, Deus arruinou tudo. O mar secou e a vida apareceu no fim do túnel. O médico disse que tudo estava bem, que eu era um garoto normal. Eu, um garoto normal? Alguns médicos deviam ser mortos por um pelotão de fuzilamento.
Track Name: Parte I - Psicose 4:48
Ele se levanta na escuridão
Como o quarto está sombrio
Esta manhã

Eu estou triste. Eu sinto que o futuro é sem esperança e que as coisas não podem melhorar. Eu estou cheio e insatisfeito com tudo. Eu sou um completo fracasso como pessoa. Eu sou culpado, estou sendo punido. Eu gostaria de me matar. Eu costumo conseguir chorar mas agora estou além das lágrimas. Eu perdi o interesse em outras pessoas. Eu não consigo tomar decisões. Eu não consigo comer. Eu não consigo dormir. Eu não consigo pensar. Eu não consigo ir além da minha solidão, do meu medo, do meu desgosto. Eu não consigo escrever. Eu não consigo amar. Meu irmão está morrendo, meu amor está morrendo, estou matando os dois. Eu avanço em direção à minha morte. Eu estou aterrorizado com a medicação. Eu não consigo fazer amor. Eu não consigo foder. Eu não consigo ficar sozinho Eu não consigo ficar com outras pessoas.

Às 4.48 quando o desespero visita eu deverei me enforcar ao som da respiração de meu amante. Eu não quero morrer. Eu me tornei tão deprimido pelo fato da minha mortalidade que eu decidi cometer suicídio. Eu não quero viver. Eu tenho ciúmes de meu amor adormecido e cobiço sua inconsciência induzida. Quando ele acordar vai ter inveja da minha noite sem dormir de pensamentos e discursos sem atrativos por causa dos medicamentos. Resignei-me a morrer este ano. Alguns vão chamar isso de auto-compaixão (eles têm sorte de não saber a verdade). Alguns vão saber o simples fato da dor Isso está se tornando minha normalidade. Mais um dia igual que nasce e morre em mim.
seu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...eu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...eu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...eu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...seu herói já se foi...

Sempre abro a porta e saio. PARA QUE?

No edifício é cedo
Ele põe o seu casaco
Em seguida ele sai

Ainda está escuro
Ele desce a rua
Ele se vai
Track Name: Interlúdio - Castelos de areia
" Através do punho puído ele viu o mar saudado como uma grande e doce mãe pela voz bem alimentada ao seu lado.
Feche os olhos para ouvir o inelutável
não siga o som das sirenes e nem das sereias
não deixe que a água leve para baixo"


Sob uma tempestade
Ele chega a praia
Ele desce com os pés descalços na areia
Ele observa ,com ar vago,
O oceano durante um breve instante
Ele pensa nas crianças
As imagens retornam
Como um filme antigo
Depois mais nada
Track Name: Parte II - Através do punho puído ele viu o mar (“se afogar, se esquecer, ver partir...”)
Não faz muito tempo
em que eu sonhei com você
suas mãos em meu cabelo
me empurrando para baixo
me afogando nessa água rasa e suja
eu deveria estar desesperado para respirar
mas esboço um sorriso
por ainda ser digno o bastante para que me toque
agradeço silenciosamente
e ficarei tão satisfeito com suas migalhas
que chamarei de amor

eu estava perdido no mar e você me deixou afundar
em barcos de papel que se dissolvem entre as ondas


Eu gosto de você imóvel nessa água preta tão profunda como o infinito tão fria como o céu tão imóvel quanto meu coração quando sua voz se foi devo congelar aqui

os corpos jogados ao mar
não buscam mais nada
com os braços cansados
não conseguem mais nadar
é melhor ser esquecido sob o sol
ou se deixar afogar?
lançam gritos contra o céu
de peitos abertos
ao que parece ninguém
vai nos salvar

Lançam gritos contra o céu de peitos abertos
ao que parece ninguém vai nos salvar


se afogar, se esquecer, ver partir
Track Name: Interlúdio - Band a Part/Barney Kiernan’s pub
Ele se afasta da cidade
Ele está bem?
Ele circula por lugar nenhum
Ele não possui mais memória
Ele está perdido em um sonho
Um grande vazio o corrói
Ele se vai
Depois mais nada


- Por que estão quietos?
- Não há o que conversar.
- Vamos lá, caras... Saúde! À nossa saúde! ... loucos, são todos loucos!
- Às vezes.
- Loucos pela glória, pela liberdade... nós os loucos, só podemos rir ou chorar. Cegos para a mentira, para ilusão e insanidade.Tudo sem sentido. Tudo igual, pois a loucura é o nosso destino!

"- Pelo amor de Deus, não diga isso, Kane! Não quero reconhecimento... o que quero é compreensão, não sei o que quero de você, ou de qualquer outra pessoa, na verdade. Quero mais do que recebo, é tudo que sei.
Quero que você saia para fora da sua pele. Quero que todo mundo se dispa, não apenas até a pele, mas até a alma. Às vezes fico tão faminto, tão voraz, que seria capaz de comer as pessoas. Mal posso esperar que me digam as coisas... como sentem... o que querem... e assim por diante.
Quero mastigá-las vivas... descobrir por mim mesmo... rápido, imediatamente. Escute aqui: apanhei um desenho de Ulric que estava sobre a mesa. Está vendo isso? Suponhamos que eu o comesse - comecei a mastigar o papel.
- Por Deus, Bloom, não faça isso! Ele vem trabalhando nisso nos últimos três dias. É uma encomenda - Arrancou-me o desenho da mão.
- Está bem, disse eu. Me dê outra coisa, então. Me dê um casaco... qualquer coisa. Venha cá, me dê sua mão. - Fiz uma tentativa de alcançar sua mão e levá-la até a boca. Ele a puxou violentamente.
- Você está ficando doido - disse ele. Ouça, controle-se. As garotas logo estarão de volta e então, você poderá comer comida de verdade.
- Como qualquer coisa. Não estou com fome, disse eu, estou exaltado. Só quero lhe mostrar como me sinto. Você nunca fica assim?
- Certamente que não! - disse ele, mostrando um canino. Por Deus, se chegasse a esse ponto iria consultar um médico. Acharia que estava com delirium tremens ou algo do gênero. É melhor você deixar o copo descansar... o gim não está lhe fazendo bem.
- Acha que é o gim? Está bem, vou jogá-lo fora. - Fui à janela e joguei a bebida fora, na área.
- Pronto, agora me dê um copo d´água. Traga um jarro d´água. Vou lhe mostrar... Nunca viu ninguém ficar bêbado com água, hein? Pois bem, me observe."
Track Name: Parte III - Sobre bêbados e náufragos
devo voltar para casa, o dia amanhece
e o resto de nós bebe
festejando nossas memórias decadentes em um bar sujo qualquer
ainda estou como se bêbado de água
penso, talvez exista um ponto onde possa observar tudo de forma mais clara
então retornarei alguns passos e me embriagarei nessas meias verdades
já não me sinto tão idiota nesse "lugar menos importante" em que você me deixou


POETAS NÃO VOMITAM NA SARJETA SE FAZENDO PERGUNTAS TÃO IDIOTAS


"Toda a vida é, em muitos dias, dia após dia. Nós caminhamos através de nós mesmos, encontrando ladrões, fantasmas, gigantes, velhos, jovens, esposas, viúvas, irmãos de amor. Mas sempre se encontrando nós mesmos ".
Track Name: Interlúdio - “Voltar para casa é sempre demorado, lento e triste como as segundas-feiras”
DEVO VOLTAR PARA CASA?

"Voltar para casa é sempre demorado, lento e triste como as segundas-feiras; voltar para casa, quando se vive sozinho e o pó deita teias de aranha no canto dos quartos, é o que se pode chamar de uma vilania contra si mesmo. Mas para onde não voltar?"

Você marcha, José! / José, para onde?
Track Name: Parte IV - Suicídio em legitima defesa
Talvez exista suicídio em legítima defesa.
Talvez eu não esteja só escrevendo o que eu quero pensar, talvez eu esteja sendo sincero e escrevendo o que estou pensando.
Talvez eu não esteja tentando me enganar, talvez isso realmente me cure.
Mas quando foi que eu adoeci? Quando foi que a fuga virou o plano “A”? Quando foi que eu passei a viver morto?
Talvez tenha sido quando eu descobri a verdade, ou melhor, quando eu descobri que não existe verdade.
Talvez tenha sido quando eu soquei a parede e vi que era oca. Talvez quando passei a mão no azul do céu e passei a ter as nuvens pintadas nas minhas palmas. Talvez quando eu vi que a bandeira pendurada no mastro do meu jardim não tinha minhas cores prediletas.Talvez tenha sido no dia que eu descobri que embora todos o digam, eu podia extinguir o “talvez” de minhas frases.
O suicídio seria em legítima defesa. Eu só estaria evitando ser morto. Seria melhor do que me sucumbir, me sujeitar, me arrastar e esfoliar meu corpo.
Eu realmente acho que seria melhor mesmo?
Sério, seria em legítima defesa!

a vida não é feita para mim, mas eu pareço ter sido feito para a vida
eu não tenho nenhum desejo de morrer nenhum suicida jamais teve
só me veja desaparecer me veja desaparecer me veja me veja me veja me veja


peço desculpas por lembrar
que heróis não se escondem ou fogem

tão cansado e fraco demais
para estar de pé
quando tudo isso acabar

e não há mais como voltar
e criar um novo final
eu sei, não existem
finais felizes na vida real
Track Name: Final - Quadrado preto sobre preto/4’33’’
SILÊNCIO